quarta-feira, 14 de maio de 2008

Educação Sexual... será assim tão necessária?

"Não creio que exista uma única boa razão para recusar às crianças as explicações que a sua sede de saber exige. Claro que, se a intenção do educador é abafar o mais cedo possível qualquer tentativa da criança pensar com independência, em proveito da honestidade tão louvada, nada funcionará melhor que enganá-la sob o ponto de vista sexual e intimidá-la no domínio religioso."

Sigmund Freud

9 comentários:

Catarina Azevedo Ramos disse...

Acho que a educação sexual é necessária e urgente, pois se as crianças aprendessem desde cedo a chamar as coias pelos nomes certos, não diziam tantos palavrões e acima de tudo passariam a estar mais informadas, esclarecidas e com consciência crítica sobre o assunto muito mais cedo.
Mas é importante escolher os educadores nesta área, pois penso que tenham de ser pessoas que mostrem bastante naturalidade a falar e a responder às perguntas mais caricatas. Mas ao mesmo tempo tem de ser pessoas que saibam respeitar os tempos de cada criança e as diferentes formas de enfrentar o assunto.
Uma sugestão é serem os professores das àreas de Ciências ou os professores de Moral.
O importante é fazer as coisas bem feitas.

Ricardo disse...

Relativamente ao comentário anterior apresento um reparo: Professores de moral, qual moral? a religiosa católica; a religiosa muçulmana; a religiosa anglicana; a religiosa hindu; a religiosa ortodoxa; a religiosa budista; ou outra qualquer que possa ser ministrada nas nossas escolas, desde que haja alunos inscritos em número suficiente, e bastam 14. Como abordaria a questão da educação sexual um muçulmano shiita que é a favor da burka, da segregação da mulher, da submissão desta ao marido e cunhados? Como abordaria a educação sexual um professante da igreja ortodoxa que considera um escândalo qualquer saia acima da rótula? Como seria explicada a sexualidade por um hindu numa escola em que a maioria dos alunos é, ou poderá ser, de tradição católica? Então e os agnósticos teriam que gramar a "pastilha" com um qualquer professor colocado pelo patriarcado ou pelo episcopado católico para poder aceder à educação sexual?
E o animista que acabou de chegar da guiné com a respectiva família, o irmão até é famoso no futebol, como vai sobreviver nas aulas de educação sexual dadas por alguém que regeita etas formas de estar ou de sentir, chamando-lhes de hereges, infieis e outras coisas mais que historicamente lhes levou a troca de nomes e até outras atrocidades das quais se esqueceram de pedir perdão. Recordem-se que esse perdão já foi pedido aos judeus e outros praticantes de outras religiões.

Bom mas sou eu a pensar nestas coisas complicadas que são a consciência religiosa e a religiosidade de cada um, que muitas vezes colide de forma pouco amigável com outras ideias. Não vejo bem um "emissário" do bispo a pregar segundo um catecismo, a tratar de questões religiosas, quando defendem na sua Biblia: vós mulheres cubri a cabeça em sinal de respeito, e vós homens destapai-a, em sinal de respeito, pois estais na casa do senhor. Parece não haver igualdade aqui, logo não haverá na sala de aula.
Aliás os infieis e os impuros serão expulsos, e ser-lhe-á vedada a porta da salvação, entenda-se educação (sexual).
Isto já vai longo, para leccionar ES é necessária formação, e esta tem que passar por vertentes muito diversas, o conhecimento das culturas e religiões diversas parece-me dever ser obrigatório, não vá alguém na sua melhor intenção criar um conflito do tipo guerra-santa, se alguma guerra puder ser santa.

Um abraço
Ricardo, (adnarim-ricardo.blogspot.com)

Ana Mestre disse...

Bom dia,
Eu concordo em pleno com o Ricardo. De facto, esta temática da Educação Sexual é muito mais complexa do que se possa julgar à priori. Exige competências e formação adequada por parte de quem acompanha os alunos na ES. É necessário conhecer e estar por dentro das ideias pelas quais se regem as diferentes religiões e, sobretudo, acho necessário haver competências no domínio científico, para não incorrer no risco de transmitir conhecimentos errados. Também deve haver uma boa dose de conhecimentos ao nível da "psicologia juvenil" para, como dizia a Catarina, respeitar os tempos de cada criança e estar apto para responder de maneira correcta mas equilibrada às suas dúvidas nos mais diversos níveis.

Unknown disse...

Nos tempos de hoje é fundamental a educação sexual nos adolescentes, isto porque, começa a ser cada vez mais precoce a procura e a curiosidade sobre o assunto. No meu ponto de vista acho mais importante adolescentes conscientes e a praticar sexo, do que inconscientes, caso contrário, os danos físicos psicológicos e sociais serão (são) muitos.

Artur disse...

A Educação Sexual é, sem dúvida, um tema extremamente importante e deve ser abordado inicialmente na família. A Educação Sexual começa desde que o bebé nasce ... talvez mesmo, antes do seu nascimento ...
A Escola deve contribuir para a formação integral das crianças, adolescentes e jovens, logo deverá poder participar na educação para a Sexualidade Humana... no seu todo. Esta nunca deverá ser trabalhada para além das necessidades da idade e da própria criança, ... O professor que trabalhar este tema não deverá ser somente especialista em biologia, mas também na afectividade e em muitas outras áreas do saber ... com mais facilidade se aprende com alguém que nos "toca" do que com alguém que sabe muito, mas que não consegue manter relações próximas com os outros. A Sexualidade passa mais pela relação do que, muitas vezes, pelo saber ... vejamos … quantos dos nossos jovens (e mesmo adultos) sabem que devem usar preservativo quando mantêm relações ocasionais e com diferentes parceiros sexuais? Muitos certamente. Mas a verdade é que muitos deles continuam a não usá-lo.
Em relação à introdução da temática das religiões e da Educação Sexual penso que a mesma está intimamente ligada e que não pode nem deve ser tratada de forma rápida, precipitada e muito menos anedotizada.
O mais importante, neste blog, é que a questão seja levantada, reflectida e se possam chegar a alguns consensos em relação à Educação Sexual em contexto de sala de aula.

Anónimo disse...

Considero que, actualmente, a educação sexual assume uma função de prevenção muito importante. No entanto, é bom não esquecer que a educação sexual não deve assumir um papel meramente informativo, pois muitas vezes o erro está em achar-se que a informação é o mais importante, esquecendo que muitos dos adolescentes a têm e não a usam.
O mais importante, na minha opinião, é desenvolver nos nossos adolescentes o respeito por si próprio e pelo outro. Sendo assim, é mais significativo ampliar o conceito de educação sexual às relações interpessoais.

Anónimo disse...

Falar de Educação Sexual em contexto escolar exige preparação e formação de docentes, da presença de um profissional de psicologia nas escolas e de uma relação muito estreita com o pessoal médico e de enfermagem do Centro de Saúde perto do estabelecimento de ensino.
Considero que deveria haver uma sessão todos os meses onde um profissional devidamente habilitado pudesse responder a questões, ensinar a prevenir doenças sexualmente transmissíveis e gravidez indesejada.
Dentro do tema Educação Sexual deveriam ser tanbém trabalhados os temas numa perspectiva pluridisciplinar: identidade e género, economia doméstica, valores e Saúde, entre outros...
Falar de Educação Sexual na escola - precisa-se!

Anónimo disse...

O que queremos nós com a educação sexual? Será apenas prevenir doenças? E se essa questão médico - sanitária não se colocasse, continuaríamos a achar que a ES era necessária?
O que se pretende com a educação da sexualidade? Seguir um conjunto de normas e valores impostos pela cultura/sociedade, como forma de auto - regulação de comportamentos? Não é essa a função das religiões?
E os sentimentos? Valores como o amor, o respeito próprio e pelo outro estarão no centro ou à margem desta discussão?

Pedro Cerqueira disse...

"A Religião é o ópio do povo"

Karl Marx

Portugal é um país com grandes tradições católicas, em larga medida devido à influência que o Estado Novo sempre atribiui à Igreja. "O país dos três F's, Fátima, Fado e Futebol", como foi celebrizado, está ainda longe de desaparecer, dado que a mentalidade imposta à população durante 60 anos não é passível de transformação instantânea. Menos aconselhável ainda será forçar a mudança de prioridades e o abrir da mente de um povo historicamente privado do seu livre pensamento.

Como tal, a possível implementação de uma disciplina de Educação Sexual fere a pacatez do nosso establishment, os nossos brandos costumes e psicologia beata que por aí reina. O ponto essencial em questão não é a necessidade de introduzir uma disciplina de Educação Sexual, como disciplina de direito ou parte programática de uma outra; o que importa é mudar o prisma pelo qual se analisa a questão. Enquanto a geração reinante permanecer refém de dogmas com séculos de existência, a simples menção de Educação Sexual está ferida, senão de morte, de um golpe rude que será utilizado pelos seus detractores à mais pequena oportunidade. Ou será que alguém duvida que EMRC e Formação Cívica são (como diria Freud) defesas da mente à líbido que reina no nosso subconsciente?

Se algum professor ou outra entidade com responsabilidades no nosso processo educativo for questionado sobre a importância de uma educação sexual aos mais jovens, será de crer que alguém diga que não? Mas na escola, corrompendo as mentes dessas puras crianças que disso nada sabem?

As mentalidades raramente acompanham as necessidades. Altere-se este facto, e o resto virá por acréscimo.

"Para um homem com um martelo, todos os problemas parecem pregos"

Mark Twain